Um dia me falaram num tal Goto Seco. Eu não conhecia. Seria algo relacionado a pinga?! Fiquei interessado em saber detalhes dessa novidade. Foi aí que me apresentaram o zine alternativo do Goto. Lembrei de mim, lá pelos idos de 80, por aí... buscava junto aos amigos natalenses uns desses jornaiszinhos cheios de notícias interessantes. Música, poesia, dicas de livros e filmes... E eis que o Goto Seco, que já está no número 22, agora aparece com tão boas intensões, exercendo a função que seria de muitos catedráticos no assunto cultura, um artigo tão em falta, que vem se agravando a cada ano. Felizmente agora parece haver uma luz no fim do túnel (ou seria no começo?!). Recentemente houve uma conquista nesse sentido, que foi a criação do CNPJ da Fundação Nilo Pereira. Quem sabe agora se possa por em prática todos os projetos e sonhos dos nossos artistas, dos mais variados seguimentos!? É preciso acreditar.
O Goto Seco, que não é de esperar por milagres (e nem migalhas), se antecipa ao poder público e lança o projeto de um livro com trabalhos inéditos dos nossos poetas. Aliás, esse é um sonho antigo de muitos. Mas é bom que isso aconteça pelas mãos desses meninos valentes, sonhadores e despojados de orgulho e interesse particular. Quando a coisa acontece e dá certo, todo mundo quer ser o pai da criança. Mas correr atrás é que são elas. Muito boa a iniciativa do professor Carlos Henrique, Carlos Eduardo e Ilton Soares.
Quinze anos depois de instituído o Prêmio de Poesia Adele de Oliveira, promovido pela secretaria Municipal de Cultura e Biblioteca Pública Municipal Dr. José Pacheco Dantas, é triste constatar que esse importante concurso há dois anos não é realizado. E a gente fica imaginando os belíssimos trabalhos apresentados ao longo desses anos e que poderiam muito bem estar registrados em livros. No entanto, se alguém procurar por eles talvez não haja nenhuma notícia. Alguém se lembra do “João da Bósnia”, do “Zé do Brejo”, da “Estrela D’Alva” e tantos outros, pseudônimos constantes nos vários prêmios realizados?! Até eu fui um desses. Hoje amargamos a saudade daquele tempo. Nós aqui de perto, Ceicinha lá em Portugal, Amarildo num lugar que eu não sei, e as nossas poesias tão fadadas ao esquecimento. Poesias que de tão adormecidas nos velhos arquivos daquela casa de leitura, hoje mais parecem pergaminhos de uma era esquecida. É preciso tirar “esse” Ceará-Mirim da gaveta! Avante Goto Seco! (Eliel Silva)